Saiba como planejar a aposentadoria

Saiba como planejar a aposentadoria

De fato, a receita infalível para aproveitar ao máximo a melhor fase da vida é planejar a aposentadoria. Isso é essencial para que possamos alinhar as nossas práticas cotidianas às metas, objetivos e resultados que esperamos obter no futuro.

Inclusive, isso pode ajudar a evitar uma situação lamentavelmente muito comum: a do trabalhador que planta chuchu a vida toda e espera colher cenouras na velhice.

Podemos afirmar que, na maior parte das vezes, isso acontece por falta de informação, não por falta de trabalho duro ou força de vontade. Por isso, decidimos elaborar este post, em que vamos procurar esclarecer as principais dúvidas que gravitam em volta do tema.

Continue lendo e confira como garantir o seu padrão de vida na velhice de uma forma que caiba dentro do seu bolso!

1. A importância de planejar a aposentadoria

Não é nenhuma mentira que a terceira idade nos reserva um dos momentos mais interessantes da vida.

Mais maduros, temos também a capacidade de apreciar a vida de uma forma mais profunda. E a aposentadoria permite que tenhamos a combinação entre tempo e recursos para viajar e realizar os sonhos de uma vida.

No entanto, também não podemos negar que costuma ser uma época da vida em que as despesas aumentam, e muito! Isso acontece, naturalmente, porque nos tornamos mais dependentes de medicamentos, procedimentos e intervenções médico-hospitalares, até odontológicas.

Além disso, muitos patriarcas e matriarcas costumam se envolver nos projetos dos mais jovens, ajudando-os a se estabelecer na vida. Nesse sentido, é natural querer encher os netinhos de cuidados ou incentivar o jovem casal que acaba de se casar com um bom presente para a casa nova.

Mas, para que isso tudo possa acontecer, é necessário que tomemos um tempo do nosso dia para pensar sobre o planejamento da nossa aposentadoria. Caso contrário, teremos que viver com pouco justamente na época da vida em que mais precisamos.

A importância desse tema cresceu à medida que o brasileiro se deu conta de que deixar o futuro da sua família exclusivamente por conta da previdência social é uma estratégia extremamente arriscada.

Especialmente se levarmos em conta os últimos acontecimentos, que culminaram na reforma da previdência, com milhões de trabalhadores sendo prejudicados.

Esse tipo de incerteza econômica e política gera toda sorte de dúvidas na cabeça do trabalhador brasileiro. Devo me contentar apenas com a aposentadoria do INSS? Vale a pena investir em uma previdência complementar, privada? Vou conseguir me aposentar ganhando a mesma coisa que ganho na ativa?

A resposta para todas essas perguntas é: depende! Mas não desanime: ao longo dos próximos tópicos, vamos te mostrar como planejar a sua aposentadoria e, consequentemente, dar uma resposta um pouco mais completa para cada uma dessas questões.

2. As diferenças entre aposentadoria social e privada

A aposentadoria social é aquela gerida pelo Poder Público (INSS, Previdência Social e Receita Federal). Já a aposentadoria ou previdência privada é gerida por uma instituição financeira privada.

Talvez a maior diferença entre as duas seja o fato de que a social é obrigatória, enquanto a privada é opcional. Isso mesmo: sempre que o trabalhador tem a sua carteira assinada ou é contratado para prestar determinado serviço, está obrigado a contribuir para o INSS.

O empregador deve descontar automaticamente a contribuição do trabalhador, bem como a chamada contribuição patronal, devida pela empresa. Até mesmo o autônomos devem pagar INSS.

Isso acontece porque o objetivo da previdência social é fazer com que o cidadão que se encontra em situação de risco social, em razão da idade avançada, não fique absolutamente desamparado. Já a intenção da previdência privada é manter o padrão de vida do trabalhador, mesmo após a aposentadoria.

Em muitos casos, a diferença entre o salário e a aposentadoria acaba sendo bastante grande. Às vezes o aposentado acaba recebendo quatro ou cinco vezes a menos do que ganhava quando estava na ativa.

Nesse sentido, muitas despesas que são importantes para você podem depender dessa fatia da sua renda. Já imaginou como seria viver hoje com apenas um terço do seu salário? Agora, imagine viver assim justamente quando você mais precisa de recursos se manter.

É por isso que existe uma grande relação de complementariedade entre a previdência pública e a privada. Contribuímos para o INSS para que possamos contar com o mínimo existencial, e para a previdência privada para que possamos manter — ou mesmo aumentar — a qualidade de vida da nossa família, mesmo sem trabalhar.

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3. Como funciona a previdência privada

previdência privada, também conhecida como previdência complementar, funciona sob a gestão de uma instituição financeira autorizada. É simples: o segurado realiza contribuições mensais — chamadas de prêmio — em favor da instituição que escolher.

Já a instituição financeira se compromete a receber esse dinheiro e aplicá-lo em investimentos de baixo risco. A intenção é fazer com que ele obtenha um rendimento capaz de manter, e ainda aumentar, o seu poder de compra, mesmo atravessando um período em que a inflação esteja alta.

Assim, ao final do período pactuado, o trabalhador pode optar por:

  • receber uma renda — ideal para complementar a aposentadoria da previdência social, de modo a sustentar ou aumentar o padrão de vida da família
  • receber o dinheiro de uma só vez — ideal para quem quer realizar um grande sonho de vida, como conhecer o mundo ou abrir o próprio negócio.

De fato, muitas pessoas hesitam no momento de contratar uma previdência privada porque imaginam que não precisarão de uma complementação na sua renda no momento da velhice. Isso é bastante comum com quem consegue acumular um bom patrimônio ao longo da vida, como imóveis, ações e outros investimentos.

Nesse caso, é importante deixar claro que é possível, sim, comunicar a instituição financeira e realizar o saque do valor investido. Dessa forma, pode-se utilizá-lo para adquirir uma casa ou pagar a faculdade de um filho ou neto, por exemplo.

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4. Como funciona a previdência social

A previdência social é uma espécie do gênero “seguridade social”, que inclui, ainda, a saúde pública e a assistência social. Em outras palavras, a previdência pública é um dos pilares de sustentação da seguridade social no Brasil.

Isso significa dizer que o seu objetivo é fazer com que todos os trabalhadores, que contribuírem ativamente com o sistema, sejam recompensados com a segurança de estar coberto contra uma série de riscos sociais, como acidentes de trabalho, velhice e morte.

Assim como a assistência pública de saúde não pode se prestar a realizar procedimentos meramente estéticos ou desnecessários para manter o paciente em um estado normal de saúde, também a previdência social não se presta a manter o padrão de vida do aposentado, mas apenas a garantir que ele tenha o mínimo necessário para viver com dignidade (na opinião do Governo).

Apenas para termos uma ideia, esse valor pode variar de um salário-mínimo a, aproximadamente, R$ 5.645,00, a depender da maior parte dos salários de contribuição que se recebeu ao longo da vida.

Bom, já tivemos a oportunidade de mencionar que as contribuições devidas ao INSS são de caráter obrigatório. Isso acontece porque elas têm natureza tributária. E, como qualquer outro tributo, as contribuições previdenciárias também têm uma alíquota e uma base de cálculo.

O salário de contribuição nada mais é do que a base de cálculo da contribuição previdenciária que incide sobre o salário. É um valor referência, sobre o qual será aplicado um percentual que chamamos de alíquota.

Assim, ele coincide com o salário nominal do trabalhador, exceto quando este ganha acima do chamado “teto da previdência”. Nesse caso, considera-se que o salário de contribuição seja o valor exato do teto da previdência — que, em 2018, está em R$ 5.645,80.

Já a alíquota da contribuição previdenciária vai de 8% a 11% sobre o salário de contribuição do trabalhador.

Vale lembrar que o sistema de contribuição previdenciária no Brasil é tripartite, sendo sustentado pelo Estado, pelo Empregador e pelo empregado. Portanto, o empregador também deve recolher a sua parte no momento do pagamento da folha.

Vamos supor, a título de exemplo, que você receba um salário de, aproximadamente, 11 mil reais todos os meses. Nesse caso, sua contribuição ao INSS seria de 11% sobre o salário de contribuição (R$5.645,80), resultando no montante de R$ 621,04.

No entanto, o benefício recebido no momento da aposentadoria não poderá, obviamente, ser maior do que o teto da previdência. Assim, a partir do momento em que se aposentar, nosso trabalhador passará a receber praticamente a metade do salário que recebe enquanto está na ativa.

Pode até ser que a proteção dada pelo INSS evite que o idoso fique em uma situação de desamparo total. Mas, muitas vezes, ele é insuficiente para cobrir gastos importantes, como o plano de saúde, por exemplo.

Justamente por isso é que muitos brasileiros procuram fazer uma previdência privada ao longo de sua vida economicamente ativa.

5. Como calcular o tempo de contribuição e o valor das parcelas para atingir seus objetivos

O método para saber o valor da contribuição e do benefício a ser obtido varia bastante, a depender do fato de estarmos falando de uma aposentadoria privada ou da previdência pública.

Vamos começar pela previdência privada. Várias instituições que oferecem investimentos em previdência privada disponibilizam para o cliente algum método capaz de simular a contribuição e prever o benefício de acordo com os interesses do segurado. Isso pode ser feito pela internet ou mesmo pela intermediação de um corretor de seguros.

Além disso, muitos dos aspectos mais importantes do contrato de seguro a ser celebrado podem ser livremente pactuados pelas partes, enquanto que, na previdência social, as condições já estão impostas pela lei e são as mesmas para todos.

Também, quanto à previdência social, é preciso levar em conta as novas regras da aposentadoria, que alteraram o tempo de contribuição necessário para a obtenção da aposentadoria, extinguindo a aposentadoria por idade e criando uma nova sistemática.

Essa nova sistemática fez com que a idade mínima para aposentadoria seja de 62 anos para as mulheres e 65 anos para os homens. Além disso, é necessário um tempo de contribuição de, pelo menos, 25 anos.

O grande problema é que esses requisitos mínimos para a aposentadoria garantem ao trabalhador apenas 70% da média dos maiores salários de contribuição. Para obter o valor total, seriam necessários 40 anos de contribuição!

Em suma, com relação ao valor do benefício, podemos dizer o seguinte: ele nunca será maior do que a média de 80% dos maiores salários de contribuição em toda a carreira do trabalhador, devidamente atualizados pelo IPCA.

6. Seis dicas para otimizar o planejamento da aposentadoria

6.1. Trace objetivos claros

Como diria o Gato de Cheshire, companheiro de Alice no país das maravilhas, “qualquer caminho serve para quem não sabe aonde quer ir”. Portanto, o primeiro passo para que a nossa aposentadoria não fique à deriva é escolher um ponto em que queremos estar no futuro: esse é nosso objetivo.

Metas são como marcas que atingimos enquanto avançamos em direção ao nosso objetivo final. Elas servem para que possamos avaliar o nosso desempenho, fazer projeções para o futuro e, é claro, para nos motivar a seguir em frente.

Em outras palavras, traçar um objetivo claro significa fechar os olhos e imaginar como seria a nossa vida daqui a vinte, trinta ou quarenta anos. Mas essa atividade pode não ser tão fácil quanto imaginamos, especialmente quando praticada por pessoas muito jovens.

Tomemos, então, uma visão um pouco mais objetiva da questão: é bastante provável que despesas com alimentação, transporte, medicamentos, médicos e planos de saúde disparem. Também, é bastante provável que você tenha uma vida mais voltada para a família, especialmente para o bem-estar dos filhos e netos.

A isso temos que somar o projeto de vida para a terceira idade. Esse é o momento em que temos de imaginar quais seriam nossos projetos particulares para o futuro. Quem sabe, pagar a faculdade dos netos, comprar um barco ou conhecer a China?

A partir daí, já podemos ter uma vaga noção de quanto dinheiro precisamos juntar para conseguir aquilo que desejamos para o nosso futuro, e para o futuro da nossa família. Grande parte do trabalho ao planejar a aposentadoria é estabelecer a rota que nos levará do lugar em que estamos agora a esse lugar que queremos chegar.

6.2. Faça um levantamento das receitas com as quais você poderá contar

Já mencionamos que contar com a previdência social é uma estratégia arriscada para a aposentadoria. Isso acontece, sobretudo, pelo fato de as regras para a aposentadoria pelo INSS terem ficado ainda mais desvantajosas para o trabalhador desde a reforma da Previdência em 2017.

Sem entrar nas especificidades do tema, podemos afirmar que um trabalhador terá de trabalhar, em média, 40 anos para poder se aposentar com proventos integrais. Isto é: com um salário compatível aos 80% maiores salários de contribuição.

Caso decida se aposentar antes disso, ele poderá receber apenas 70% dos maiores salários de contribuição.

Isso tudo porque não estamos considerando uma possibilidade bastante concreta: a de que o Governo aprove ainda uma nova reforma na previdência daqui a 10 ou 20 anos, prejudicando ainda mais o trabalhador. Nesse caso, se a estratégia for contar exclusivamente com o INSS, o planejamento de aposentadoria de milhões de brasileiros será novamente arruinado por completo.

Por isso, é importante poder contar também com outras receitas, como investimentos em renda fixa ou variável, aluguel de imóveis, participação nos lucros de empresas, recebimento de debêntures e dividendos. Essas receitas podem chegar até a configurar a chamada aposentadoria antecipada.

Uma dessas opções de investimento, em particular, foi especialmente desenvolvida para atender a essa necessidade: estamos falando, é claro, da previdência privada.

Como já vimos, o produto foi projetado justamente para arrecadar pequenas parcelas, fazendo com que elas cresçam com o tempo e sejam resgatadas no futuro, somadas ao rendimento que obtiveram no médio ou longo prazo.

6.3. Faça uma estimativa de quanto você precisará guardar

Quanto você precisa gastar está relacionado diretamente com o custo de vida que você estimar para a terceira idade.

Nesses casos, considere que você pode estar casado, e que pode ter filhos menores ou com necessidades especiais. Assim, você se prepara para o pior e, caso ele não venha, terá uma saudável margem de segurança.

6.4. Comece o quanto antes

Um bom exemplo de como pensar demais pode atrapalhar nossas atitudes é o famoso caso do cidadão que, durante muitos anos, fica em dúvida sobre fazer, ou não, uma previdência privada, pois acha que está velho demais para começar.

O momento certo para começar a pensar no futuro é o quanto antes! Afinal, mesmo que você não consiga conquistar tudo aquilo o que deseja para a terceira idade, poder contar com algum dinheiro em um momento de aperto é melhor do que não ter nada.

De fato, é plenamente compreensível que uma pessoa não consiga começar a contribuir para uma previdência de um dia para o outro. O que queremos dizer aqui é que não há desculpas para não começar o planejamento, não a execução.

Quando falamos de uma pessoa que tem dívidas, por exemplo, é recomendável que ela venha a honrá-las antes de se comprometer com uma nova despesa. E isso, geralmente, envolve cortar custos e controlar melhor as finanças durante algum tempo, antes de se poder contar recursos livres para investir.

6.5. Seja regular

Muitas pessoas pensam que, se investirem um valor baixo todos os meses, não conseguirão obter nenhuma vantagem com isso no futuro. Mas, parando para pensar, pouco é melhor do que nada, não é mesmo?

Como resultado, acabam estabelecendo valores excessivamente ambiciosos e, consequentemente, não conseguem pagar as parcelas. O débito em aberto acaba servindo como um forte fator de desmotivação em continuar a verter as contribuições.

Na verdade, muito mais importante do que o valor que é colocado de lado para a previdência é o fato de essas contribuições serem sempre periódicas — de preferência, mensais. Investir é um habito e, como todo hábito, precisa ser cultivado.

A dica aqui, portanto, é fixar um valor que não vá fazer falta no sustento da família (nem que seja de 100 reais). Assim, se consegue criar o hábito de economizar dinheiro e investir suas economias, de modo a protegê-las da ação da inflação.

6.6. Aja e reveja periodicamente sua estratégia

Pensar antes de agir é extremamente importante não apenas na hora de contratar uma previdência privada, mas também na hora de fazer praticamente qualquer outra coisa na vida. Por outro lado, pensar demais pode fazer com que não tomemos nenhuma atitude, e que o tempo passe.

Criar uma estratégia é essencial, mas seguir essa estratégia talvez seja mais importante ainda. Em outras palavras, é fundamental colocar o plano em ação. Se o plano não estiver bom, podemos sempre mudar de planos!

Com a portabilidade, é possível que o segurado opte por um plano de previdência, mas fique de olho na rentabilidade da sua aplicação ao longo do tempo. Assim, se, por algum motivo, o desempenho do investimento não agradar, também é possível solicitar a mudança para outro produto, ou mesmo a mudança para outra instituição financeira.

Conclusão

Para finalizar este post, não custa nada chamarmos a atenção para um problema muito pouco comentado nos dias de hoje. A previdência social é gerida pela União, o que significa dizer que as regras que se aplicam sobre a previdência de todos nós podem ser alteradas de forma unilateral pelo Poder Público.

Um grande exemplo disso foi a recente aprovação da chamada reforma da previdência. Mesmo trazendo normas de aplicação temporária desenvolvidas para amaciar a transição, uma lei que altera as regras com o jogo em curso pode trazer muitos prejuízos para o planejamento financeiro do trabalhador.

O mesmo não acontece quando contratamos uma previdência privada. Ao menos, não se escolhermos uma instituição sólida, que cumpre o que promete.

Por isso, uma boa dica na hora de escolher uma seguradora é procurar saber um pouco sobre a sua história. Lembre-se: uma instituição que tem muitos anos e histórias para contar é sempre um bom indício de uma gestão proba e profissional.

Enfim, gostou do nosso artigo? Agora que você já entendeu a importância de planejar a aposentadoria, que tal pesquisar um pouco mais sobre as modalidades de planos e tipos de tributação na previdência privada?

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