10 dicas de como falar sobre educação financeira infantil

10 dicas de como falar sobre educação financeira infantil

A criança brasileira passa pelo Ensino Fundamental e Médio sem ouvir uma palavra sobre educação financeira. Em casa, o assunto também passa ao largo das conversas do dia a dia. Gestão do dinheiro parece até frase proibida. Dicas de educação financeira? Jamais.

Pois bem. Segue o jogo. Ela se torna adolescente, vai para a faculdade e…lá, exceto se estiver curando Administração, Ciências Contábeis ou Economia, também não vai ver nenhuma aula sequer dedicada a como gerenciar suas finanças pessoais quando for profissional e tiver um salário para administrar.

Escuridão financeira na infância = endividamento crônico na idade adulta

O resultado disso é a formação de uma nação de adultos consumistas compulsivos, de endividados crônicos, de cidadãos que não fazem a menor ideia do papel que o dinheiro deve ocupar em suas vidas.

E esse cenário negro é matematizado por meio das péssimas estatísticas que vemos todos os dias nos noticiários: 62% dos brasileiros não guardam dinheiro; 44% deles consideram impossível levantar R$ 2.500 em uma necessidade de emergência; 47% dos inadimplentes, em julho de 2017, estavam “muito endividados” (ou seja, estavam com o nome sujo e perderam completamente o controle de suas finanças pessoais).

Tudo isso é produto de uma sociedade que não ensina seus filhos sobre gestão do dinheiro. E se em sua casa, você também não tem o hábito de trabalhar a consciência financeira de suas crianças, creia nisso, provavelmente você está contribuindo para a formação de mais alguns futuros adultos pródigos, focados apenas no presente, desprovidos da capacidade de planejar o futuro e perdidos quando o assunto é “construir patrimônio”.


Mas ainda há tempo. Se você está aqui, é porque quer reverter essa espiral de desinformação. Educação se dá em casa. A financeira também.

Dessa forma, confira abaixo as dicas que preparamos sobre educação financeira para crianças. Acompanhar este artigo é altamente recomendável, até porque, lembre-se que se seu filho for um adulto endividado, é em seu socorro que ele correrá. Melhor prevenir isso com formação desde cedo, certo? Então mãos à obra!

1. Aproveite o momento em que elas começam a contar

Sua criança já começou a aprender a contar? Então você já pode começar a introduzir o tema, por meio de atividades lúdicas ou desenhos animados que mostrem à criança a importância de guardar parte do que se tem.

Quer um exemplo? A BM&F Bovespa lançou há alguns anos o programa Turma da Bolsa, uma série infantil com vários episódios em que um porquinho ensina um adulto sobre como lidar com suas finanças pessoais. Excelentes dicas de educação financeira para crianças até 10 anos.

2. Use a mesada como laboratório para o aprendizado

Além de estimulá-la com jogos e leituras de livros infantis sobre educação financeira, use a mesada como um momento através do qual a criança pode simular tudo o que vem aprendendo de vocês (pais) ou dos materiais que lhe são oferecidos.

mesada deve ser uma “prova prática” sobre como a criança está assimilando seus conhecimentos sobre educação financeira.

Mas atenção: nada de relacionar mesada a estudo! A criança deve entender desde cedo que, assim como os adultos, ela também possui algumas obrigações que devem ser cumpridas e uma delas é o estudo, o qual está completamente desvinculado a prêmios financeiros.

Ela não deve receber um prêmio por boas notas. Estudar é reponsabilidade da criança e ela deve entender isto.

3. Mostre a importância de poupar e de gastar melhor o dinheiro

O dinheiro é apenas um instrumento para que alcancemos nossos sonhos e objetivos materiais. Isso deve ficar claro para a criança desde os primeiros anos de vida. Há uma parcela do que ganhamos que deve ser usada para lazer, outra para investimentos. E você pode mostrar isso sem dar sermão e de uma forma que fique clara para seu pequeno.

Quer saber como?

Você pode dar dicas de educação financeira relevantes, na prática, adesivando 4 “cofrinhos porquinhos”, cada um contendo respectivamente as palavras “investimento”, “doação”, “despesas” e “poupança”.

O porquinho “despesas” se destina ao cumprimento de objetivos de curto prazo, caso de um lanche ou um sorvete, por exemplo. O porquinho “poupança”, por sua vez, deve ser direcionado para objetivos de médio prazo (caso de um brinquedo, que só poderá ser comprado com alguns meses/anos de economia).

Já pensou que interessante se seu filho fosse capaz, desde cedo, a materializar seus sonhos, comprando — ele mesmo — um brinquedo que sempre quis?

Eis um belíssimo protótipo do que é a vida. Hoje ele junta dinheiro e aprende a fazer o esforço financeiro necessário para comprar um brinquedo. Amanhã, fará o mesmo com seu salário, mas para comprar um carro ou sua casa própria. Isso é construir patrimônio. Desde cedo.

Por fim, a conta “investimentos” deve se relacionar ao longo prazo, uma reserva financeira para a vida da criança. O último cofrinho é “doação”, uma vez que é imprescindível que o pimpolho seja estimulado desde pequeno a ser altruísta, desenvolvendo os sentimentos de empatia, união e compartilhamento.

4. Não cometa os “4 erros crassos” da educação infantil

  • dar ao filho tudo o que você não teve;
  • tentar fazer seu filho feliz 100% do tempo;
  • comprar bom comportamento;
  • não entender que o melhor exemplo vem de casa;

Autoexplicativo, não? A propósito, você comete alguns desses erros?

5. Fale sobre o poder do tempo

Paciência é uma virtude ausente na maioria das crianças de hoje. Na era do imediatismo impulsionado pela internet, pelo celular e pelas redes sociais, todos querem tudo e para ontem.

Em virtude disso, faz parte das dicas de educação financeira ensinar seus filhos que o tempo é o senhor das maiores vitórias. Ela nos amadurece, nos prepara para recebermos o que sonhamos. Faz com que nossa conquista se torne mais sólida e menos suscetível a perdas futuras.

A criança deve entender que juntar dinheiro é uma maneira de atingir seus alvos, mas isso depende de tempo. E ele precisa ser respeitado. Com paciência, foco e persistência.

6. Esclareça a diferença entre básico e supérfluo

O que é básico? O que é útil? E o que é essencial? Não é fácil para uma criança responder isso. Até porque os próprios adultos não sabem bem distinguir essas 3 coisas. Não fosse assim o país não teria 58 milhões de pessoas com dívidas em atraso, conforme registrado pelo SPC em março de 2017.

Gastos com estudo são básicos; despesas com guloseimas, por exemplo, são úteis (sob o ponto de vista da criança), desde que em medida racional; gastos excessivos com brinquedos podem ser supérfluos, especialmente se a caixa de brinquedos da criança já estiver lotada.

Trabalhe esses conceitos (que, evidentemente, variam de família para família). Mas é preciso que seu filho tenha a consciência de que priorizar é preciso. Até porque, em geral, propagandas infantis incitam nos pequenos o desejo incontrolável de ter algo supérfluo. Explique a ele essas diferenças.

7. Explique como funciona o cartão de crédito

Cartão de crédito não é varinha de condão. Você já explicou isso aos seus filhos? Provavelmente não, certo?

Pois explique ao seu filho o que é e como funciona um cartão de crédito. Que as empresas que te dão o cartão emprestam dinheiro e ficam esperando que você não consiga pagar o que gasta. Então elas te obrigam a pagar o dobro, o triplo do que deveria. E se isso acontecer, você não conseguirá comprar mais nada em casa, porque vai virar uma espécie de escravo da empresa.

Mas um cartão de crédito pode não ser um vilão tão cruel, desde que saibamos usá-lo com cuidado. Gastando apenas o que temos.

Aproveite a oportunidade para falar sobre juros, um tipo de punição que o banco impõe por ter pegado dinheiro emprestado com ele. Eis uma das mais importantes dicas de educação financeira às crianças.

8. Enfatize que dinheiro é consequência do esforço (físico e mental) dos pais

Transmita à criança que salário é o valor pago pelo esforço que você faz mensalmente ficando até tarde no trabalho e fazendo horas-extras, por exemplo, o que significa menos tempo com a família.

Se você gastar demais, vai ter que ficar mais tempo no escritório e, com isso, provavelmente ficará menos tempo com seus filhos. Explique quais são suas atividades diárias e o valor da hora trabalhada. Essa consciência vai dar maior concretude à origem do dinheiro e possivelmente tornará seu filho mais compreensivo com o velho “eu não tenho dinheiro”.

Até porque ele certamente não vai querer ficar menos tempo com o pai/mãe, certo?

9. Inclua a criança em pequenas decisões financeiras

Educação financeira é a arte de renunciar, de fazer escolhas que abrem mão do presente em nome do futuro. Em geral, para alcançarmos o que desejamos, temos que desistir de outras coisas, ainda que temporariamente. Inclua seus filhos nas decisões financeiras para que eles aprendam essa máxima.

Comece esse exercício, na prática, no supermercado. Separe um valor, entregue nas mãos dele e diga que ele terá de escolher quais produtos levar com a quantia que possui. As dicas de educação financeira que estimulam a prática devem ser sempre enfatizadas pelos pais.

10. Ensine que dinheiro não é tudo

É importante destacar que dinheiro não é tudo. Trata-se tão somente de um instrumento para que possamos vivenciar uma experiência ou ter um bem. É só um meio, não um fim. Será que seu filho tem esse conhecimento?

Existem valores mais relevantes na vida, como ter momentos agradáveis em família, brincar com seus amigos, ser bom com o próximo (lembra das doações?), entre outros.

11. Leia e estimule seus filhos e lerem sobre educação financeira

Alguns livros úteis sobre o tema:

Para eles

Para você

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12. Mostre a eles a importância de ter produtos como previdência privada

Em uma época de rombos bilionários no INSS, provavelmente quando chegar a vez de seus filhos, não haverá mais aposentadoria pública. Por isso, explique a eles a importância de ter uma previdência privada para quando ele tiver a idade de seus avós.

É importante que você também tenha esse tipo de plano, a fim de que possa estar com seus filhos, mantendo o mesmo padrão de vida, quando chegar sua vez de parar de trabalhar.

13. Jogos que podem ser usados para ensinar finanças para crianças

Por fim, entre as dicas de educação financeira aos pequenos, não poderíamos deixar de recomendar alguns jogos para trabalhar o aspecto cognitivo das escolhas, renúncias e planejamento futuro. Alguns jogos para você desenvolver essas habilidades em seus filhos:

Agora que você aprendeu essas dicas de educação financeira para aplicar na formação de seus filhos! E se quiser saber mais sobre como falar com os pequenos, baixe nosso guia especial de educação financeira infantil.