Entenda como funciona o rendimento da previdência privada

Entenda como funciona o rendimento da previdência privada

O rendimento da previdência privada tem sido um dos principais motivos pelos quais as pessoas estão aderindo a esse tipo de investimento. Especialmente agora que o Brasil está passando por uma reforma previdenciária, a qual vem causando muitas dúvidas acerca do futuro de quem está no mercado de trabalho atualmente.

Ninguém sabe ao certo como as aposentadorias vão funcionar daqui a alguns anos, uma vez que o Governo Federal trabalha para fazer ajustes que têm dividido especialistas em Economia e Direito Previdenciário — e causado polêmica na opinião pública.

De acordo com um levantamento da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), houve um aumento de 26% na procura por planos de previdência privada no país em 2017.

Independentemente disso, contar com um plano de previdência privada é fundamental para quem quer garantir uma aposentadoria mais tranquila ou mesmo resgatar um bom dinheiro num futuro próximo. Afinal, os rendimentos desse tipo de aplicação estão entre os mais altos do mercado.

Pensando nisso, resolvemos trazer uma reflexão sobre o tema neste artigo. Continue lendo para entender o que é e como funciona o rendimento da previdência privada, bem como quais são suas vantagens em relação à poupança e outros pontos interessantes. Acompanhe!

O que é previdência privada?

Entenda como funciona o rendimento da previdência privada

Como o próprio nome sugere, a previdência privada é uma aposentadoria que não tem nenhum tipo de vínculo com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Funciona como uma opção complementar à previdência pública.

Contudo, isso não significa que a previdência privada não siga regras estabelecidas pelo poder público. Ela é regulamentada e fiscalizada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), que é um órgão do Governo Federal.

Ao aderir a um plano de previdência privada, a pessoa escolhe o valor de sua contribuição e a periodicidade em que ela será efetuada. Você pode, por exemplo, contribuir com R$ 1 mil uma vez ao ano ou pode parcelar esse valor e contribuir com mensalidades de R$ 88,33.

Portanto, quando começar a fazer uso da previdência privada, o contribuinte receberá conforme o valor que investiu mais os rendimentos gerados no período de contribuição.

Como funciona o rendimento da previdência privada?

É importante saber que os valores acumulados das contribuições acrescidos dos rendimentos podem ser resgatados caso a pessoa desista do plano. No entanto, é preciso ficar atento aos tipos de impostos cobrados em cada plano. São duas tabelas:

• progressiva: quando o resgate dos valores pode ser feito de uma só vez — normalmente indicada para quem quer resgatar em até 5 anos. A tributação de até 27,5% incide sobre o rendimento;

• regressiva: quando o valor acumulado só pode ser resgatado por meio de parcelas mensais. É indicada para quem quer resgatar a partir de dez anos do início da contribuição, pois a tributação é de 35%, mas diminui 5% a cada dois anos — fazendo com que ela chegue a 10% em uma década.

Sendo assim, a tabela regressiva fica da seguinte forma:

• até 2 anos: 35%;
• de 2 a 4 anos: 30%;
• de 4 a 6 anos: 25%;
• de 6 a 8 anos: 20%;
• de 8 a 10 anos: 15%;
• acima de 10 anos: 10% .

As aplicações de previdência privada rendem muito mais do que a poupança. Apesar de ter conquistado a simpatia de grande parte dos brasileiros, esta última tem um rendimento médio de 8% ao ano, sempre abaixo da inflação anual.

Portanto, o dinheiro guardado na poupança acaba perdendo poder de compra. Para entender o rendimento da previdência privada, é importante analisar os diversos tipos de planos que o mercado oferece. Veja:

Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL)

No PGBL, o benefício fiscal acontece por meio da dedução anual do valor investido no plano de previdência, até um limite de 12% da renda anual bruta. O interessante é que o Imposto de Renda (IR) só será pago no momento do resgate do valor acumulado, seja na forma parcelada ou total.

Plano Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL)

No VGBL, o desconto incide sobre o valor dos rendimentos e não permite dedução do Imposto de Renda. Esse é um plano indicado para pessoas que fazem a declaração simplificada do IR.

Por fim, é importante saber que a rentabilidade dos planos de previdência pode variar. A dica para fazer essa escolha é descobrir que tipo de investidor você é e a sua tolerância aos riscos — se é agressivo e disposto a investir em renda variável ou conservador, que preza por um rendimento pré-definido.

Outro ponto interessante é que, além da rentabilidade, a previdência privada tem uma forma de tributação diferenciada. Muitas vezes, é esse benefício que faz toda a diferença.

E quanto às taxas cobradas?

Geralmente, há duas taxas:

• taxa de administração: usada para administrar o dinheiro aplicado no fundo; é cobrada anualmente sobre o valor total do patrimônio aplicado;

• taxa de carregamento: serve para cobrir custos de administração e corretagem e recai sobre cada depósito ou aporte realizado no plano — normalmente não ultrapassa 5% sobre o valor.

taxa de carregamento pode ser cobrada de três formas diferentes:

• antecipada: cobrada no momento do depósito; apresenta um percentual decrescente conforme o valor do aporte e do total acumulado, ou seja, quanto maior o patrimônio, menor a taxa;

• postecipada: a cobrança recai sobre a portabilidade ou o resgate e diminui de acordo com o tempo do plano — em alguns casos pode chegar a zero;

• híbrida: acontece no aporte (entrada) e em casos de resgate e portabilidade (saída).

Vale ficar atento, pois existem planos que isentam o investidor da taxa de carregamento. Então, analise as propostas e escolha aquela que seja mais rentável para o seu investimento, com o menor custo possível.

Quais as vantagens da previdência privada?

São inúmeras as vantagens da previdência privada. Veja, a seguir, as principais delas:

• não entram em inventários — dessa forma, em caso de morte do titular, os familiares recebem o valor sem precisar esperar pelo processo de partilha;

• não pagam Imposto Sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens e Direitos (ITCMD);

• apresentam rendimentos acima da inflação;

• rendem muito mais do que a poupança e do que a previdência social;

• proporcionam diferentes tipos de resgate — além da alternativa de sacar o valor total, o usuário pode escolher receber uma renda mensal temporária ou vitalícia;

• oferecem menos riscos do que qualquer outro tipo de investimento financeiro;

• são investimentos de longo prazo, que podem ajudar a “educar” o investidor para ganhos futuros — o titular pode, por exemplo, programar aportes mensais, ajudando-o a desenvolver o hábito de poupar;

• em aplicações PGBL, permitem descontar até 12% da renda tributável do IR;

• permitem trocar de fundo investidor ou gestor sem perder o cálculo de tempo para o Imposto de Renda.

Como você pode observar até aqui, contar com um plano de previdência privada é muito importante hoje em dia. Essa deixou de ser uma decisão apenas para pessoas focadas em investimentos de longo prazo e passou a ser uma necessidade para todos.

Isso porque as pessoas estão se conscientizando de que os rendimentos da previdência privada são superiores aos da poupança e estão sempre acima da inflação, o que faz com que o dinheiro acumulado não perca o poder de compra.

No entanto, é muito importante verificar qual é o tipo de plano (PGBL ou VGBL) que mais se adéqua ao seu perfil de investidor e também pensar na forma de resgate (progressiva ou regressiva), pois essas variáveis farão toda a diferença na hora de usufruir dos valores acumulados.

Como escolher o melhor plano de previdência privada?

Veja quando contratar e quanto investir na previdência privada

Renda fixa ou variável?

Os planos de previdência privada são ligados a um plano de investimento, ou seja, você deixa seu dinheiro na mão de uma agência que vai fazê-lo render por meio de diversos tipos de aplicações. Sendo assim, você precisa escolher um plano que seja condizente com o seu perfil.

Aos mais conservadores, recomenda-se que se aplique 100% em fundos de renda fixa, pois os riscos são menores. Já os mais ousados podem investir em planos mais agressivos. A legislação permite que até 70% do patrimônio seja aplicado em fundos de renda variável.

Geralmente, investidores mais jovens optam por fundos mais agressivos, uma vez que esse tipo de investimento é mais vantajoso a longo prazo. Em contrapartida, é importante lembrar que planos em que maior parte dos ativos é investido em renda variável demandam uma taxa de administração maior, e isso também deve ser levado em conta.

Tabela progressiva ou regressiva?

Agora, é a hora de decidir o regime de tributação. Como vimos, existem duas tabelas: progressiva e a regressiva. Esta última vai favorecer quem tem um projeto de poupança de longo prazo, porque a tributação é descontada no momento do resgate, no entanto, cai ao longo do tempo.

Por outro lado, a progressiva tem variação conforme a tabela do imposto de renda e aumenta conforme o valor do resgate, ou seja, quanto maior a retirada, maior será o percentual de tributação.

Assim, a escolha vai depender do tempo pelo qual você planeja manter seu capital investido. Portanto, quem mira, no mínimo, quatro anos já pode optar pela tabela regressiva com mais segurança. Quem pensa em um tempo menor ou não sabe por quanto tempo vai deixar seu dinheiro aplicado é melhor escolher a tabela progressiva.

E tem mais um detalhe: quem decide pela progressiva está livre para migrar para a regressiva, mas quem opta pela regressiva não pode mudar para a progressiva.

Qual modalidade: PGBL ou VGBL?

Essa é uma das maiores dúvidas dos investidores. Mas a conta aqui e fácil:

• quem realiza a declaração completa do Imposto de Renda deve preferir a modalidade PGBL, já que ele conseguirá abater até 12% da renda bruta tributável;

• quem declara o IR da forma simplificada ou é isento escolhe o VGBL, uma vez que esse plano não permite descontar do Imposto de Renda.

No entanto, há uma informação importante referente ao resgate:

• PGBL: a tributação incidirá sobre todo o valor recebido;

• VGBL: a tributação incidirá somente sobre o rendimento.

Aqui, o PGBL tem uma grande vantagem. Como o IR vai ser deduzido somente no momento do resgate, o valor total do capital investido acaba ficando maior, elevando ainda mais seu potencial de rendimento. O investidor acaba aumentando sua remuneração com o valor do IR que não foi pago à Receita Federal.

Depois de contratado, posso mudar se quiser?

Sim, é possível, mas há uma carência de 60 dias. Após isso, o usuário pode migrar tanto de plano quanto de instituição — processo chamado de portabilidade. A outra boa notícia é que não existem taxas nem perda de rendimentos. Além disso, o processo é simples: basta entrar em contato com nova empresa administradora.

Mas lembre-se: a mudança só é permitida dentro da mesma modalidade, ou seja, PGBL só pode mudar para PGBL e VGBL só pode migrar para VGBL.

Quando começar a investir?

Agora que você já está munido das principais informações sobre como escolher o melhor plano de previdência privada, é o momento de decidir quando começar e quanto investir. E a resposta é simples: quanto mais cedo, melhor! Isso porque quanto antes você investe, por mais tempo o seu dinheiro estará rendendo e maior será o volume de remuneração.

Isso é especialmente interessante para quem tem um plano de longo prazo, como a ideia de usar o plano de previdência privada para complementar a aposentadoria tradicional ou usar os fundos para investir em um imóvel, um carro ou mesmo na educação dos filhos.

Quanto investir?

Essa decisão é feita no momento da contratação do plano, mas o valor pode ser modificado com o tempo — quer sejam mensalidades, quer depósitos individuais. No entanto, alguns planos exigem uma contribuição mensal mínima, então fique atento. Caso o aporte seja mensal, recomenda-se investir cerca de 10% da renda do usuário, mas nunca acima de 30%.

Então, o que está esperando? Contar com um plano de previdência privada é uma atitude que poderá trazer mais tranquilidade para você e sua família em médio e longo prazo. Por isso, é muito recomendável que você busque ajuda especializada para começar a investir nessa modalidade.

Entender como funciona essa modelo de aplicação é um dos principais passos para fazer a melhor escolha no momento de se decidir por um plano. Estamos certos de que, ao seguir estas dicas, você será bem-sucedido em seus investimentos e verá o seu patrimônio crescer a cada dia!

E então? O que você achou das informações deste artigo acerca do rendimento da previdência privada? Elas foram úteis e relevantes para você? Faça agora mesmo uma simulação e entenda qual o melhor plano de previdência privada para o seu caso!