8 motivos para não investir na caderneta de poupança

8 motivos para não investir na caderneta de poupança

A caderneta de poupança já não é mais a mesma. Suas regras passaram a ser de difícil compreensão, sua rentabilidade vem sendo dilacerada pelo descontrole inflacionário e, para piorar, a competição desigual com diversos outros investimentos (muito mais rentáveis) faz o marasmo da aplicação mais conhecida dos brasileiros perder completamente o sentido.

Para ficar mais claro, enquanto em 2016 um título de renda fixa como o Tesouro IPCA+ 2035 (NTN-B Principal) rendeu impressionantes 47,81%, a poupança amargou um magro 7,57% (600% de diferença).

Com resultados como esse, é difícil entender como algumas pessoas ainda se deixam levar pela ilusão do suposto “rendimento fácil” da poupança. Na verdade, muitos brasileiros já compreenderam a necessidade de formular outras estratégias de investimento.

Em 2015, por exemplo, foi registrada a maior “fuga de recursos” da história da poupança (as retiradas superaram os depósitos em R$ 53,56 bilhões). De fato, quem descobre o infinito de possibilidades do mercado financeiro, não entende porque perdeu tanto tempo na estagnação da caderneta.

Se você é um dos poucos remanescentes a ainda apostar na caderneta de poupança, vamos mostrar 8 motivos que mudarão sua estratégia de planejamento financeiro!

1. Baixo rendimento

Você sabia que em 2015, por exemplo, a rentabilidade real da poupança (descontada a inflação) ficou em -2,28%? Isso mesmo! Enquanto a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 10,67% no ano, a caderneta de poupança rendeu apenas 8,15%, resultando em uma rentabilidade negativa.

Trocando em miúdos, quem deixou dinheiro na poupança em 2015, perdeu poder de compra. E muito.



Já em 2016, embora os números não tivessem sido tão catastróficos quanto no ano anterior, a performance da poupança ficou longe de ser considerada interessante. A poupança teve ganho real de 1,9% no ano, o melhor resultado desde 2009. Bom? Não, péssimo se levarmos em conta o desempenho de outros ativos no mesmo período, conforme mostrado pela Exame:

  • Tesouro IPCA+ 2035 (NTN-B Principal): 47,81%;
  • Tesouro Prefixado 2021 (LTN): 38,69%;
  • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2050 (NTN-B): 34,2%;
  • Fundo de ações indexados: 32,65%.

Olhando esse quadro, já não fica nenhuma dúvida de que não vale a pena investir na caderneta de poupança, certo? Mas há ainda outros motivos.

2. Péssimo investimento para o curtíssimo prazo

A poupança não rende diariamente, como um CDB ou os Fundos DI. Na caderneta, só há rendimento a cada 30 dias. Ou seja, se você precisar sacar o dinheiro em menos de 1 mês, sua aplicação terá 0% de rentabilidade. Nada animador, não?

3. As regras da poupança já não são mais tão simples

Ah, mas a poupança é simples de entender!

Será mesmo? Em 2012, com receio de que houvesse uma migração em massa de investimentos em títulos públicos para a poupança (em um período de baixa nas taxas de juros), o governo decidiu mudar a fórmula de rendimento da poupança, o que passou a ser a seguinte:

Quando a taxa básica de juros (Selic) for igual ou inferior a 8,5% ao ano, a poupança rende 70% desse referencial (a Selic). Por outro lado, quando essa taxa estiver em patamares acima de 8,5%, o rendimento da poupança fica em 0,5% ao mês, acrescido da Taxa Referencial (TR).

Não parece mais tão simples quando antigamente, certo?


4. Facilmente corroída pela inflação

Esse é um complemento do nosso primeiro motivo. Levando em conta que o rendimento da poupança dificilmente extrapola os 8% ao ano, bem como que o atual cenário de absoluta instabilidade política e econômica prejudica o controle da inflação (que sofre para ser mantida dentro da meta do Banco Central), não é incomum que uma pessoa que deixe seus recursos na poupança, em vez de ganhar, acabe perdendo dinheiro.

Essa constatação explica porque, desde 2010, a poupança teve rentabilidade líquida acima de 1% apenas em 2016.

5. Existem investimentos tão seguros quanto a poupança (e muito mais rentáveis!)

A segurança da poupança é um dos maiores mitos do mercado financeiro. Isso porque o que garante o baixo risco de crédito da caderneta de poupança é sua proteção por parte do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Esse fundo assegura ressarcimento aos investidores em caso de falência da instituição financeira depositária, no limite de R$ 250 mil. A questão é que a poupança não é o único investimento protegido pelo FGC. Há outras formas seguras de guardar e aplicar dinheiro.

Letras de Câmbio, Letras de Crédito Imobiliários/do Agronegócio (LCI/LCA) e CDB são alguns outros investimentos que possuem a mesma proteção do Fundo Garantidor de Crédito, mas que, em geral, apresentam rentabilidade muito melhor do que a caderneta.

6. Juros altos favorecem a maioria dos investimentos…exceto a poupança!

O Brasil é considerado o paraíso dos investidores, justamente por praticar uma das maiores taxas de juros do planeta. Como muitos ativos possuem rentabilidade atrelada à Selic (taxa básica de juros no país), quanto mais alta for essa taxa, maior a rentabilidade dos investidores. Existem títulos do Tesouro Direto, CDBs, LCI/LCA, entre muitas outras aplicações cuja rentabilidade pode ser referenciada pela Selic.




Já a poupança não sofre variação quando os juros aumentam. Pelo contrário, a elevação dos juros é um instrumento de política monetária do governo para reduzir o consumo em tempos de alta inflacionária (e, assim, controlá-la). Juros altos, portanto, costumam significar tentativa de diminuir a inflação que, se descontrolada, por sua vez, significa que sua caderneta de poupança não está apresentando boa performance real. Percebeu que juros altos é excelente para muitos investimentos, menos para a poupança?

7. Poupança não é a única forma de fugir da mordida do Leão!

Mais uma lenda urbana que precisa cair por terra. De fato, não há cobrança de IR para as aplicações em poupança. O problema é que, assim como ocorre com a proteção do FGC, a isenção tributária não é uma exclusividade da caderneta.

Letras de Crédito Imobiliário/do Agronegócio (LCI/LCA), Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Debêntures de infraestrutura são outras aplicações que não sofrem mordida do Leão.

8. Diversificação é comprovadamente a melhor forma de aumentar seu patrimônio

Por fim, a mais importante razão para que você ao menos fragmente seus recursos (caso estejam depositados integralmente em caderneta de poupança): diversificação, comprovadamente a mais inteligente estratégia para ter bons resultados em sua vida financeira.

O motivo é que quando você diversifica seus investimentos, você dilui os riscos e aumenta sua rentabilidade média. É interessante, portanto, montar uma carteira de investimentos composta por títulos de renda fixa, previdência privada e até alguma parcela em renda variável (caso o investidor tenha algum nível de experiência no mercado financeiro).

Vale lembrar que ter uma apólice de seguro de vida também é importante, uma vez que se trata de uma proteção valiosa a quem ainda não tem um patrimônio financeiro sólido. O que deve ficar claro, em resumo, é que um portfólio de ativos diversificado, se bem combinado, pode trazer resultados muito mais robustos do que os obtidos com seu dinheiro em poupança.

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