Crescimento do mercado de seguros torna o ramo promissor no Brasil
A expansão e a consolidação do mercado de seguros e previdência no Brasil abrem as portas para uma carreira que exige cada vez mais dedicação, a de corretor. Segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), esse mercado movimentou R$ 63,5 bilhões em prêmios nos nove primeiros meses deste ano, expansão de 16,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Entre 2009 e 2010, o número de profissionais em atividade em todo o Brasil passou de 38.513 para 42.276, aumento de quase 10%.
"O corretor é o profissional autônomo que atua como intermediário legal entre o cliente e a seguradora. O mercado está carente e abrirá muitas oportunidades nos próximos anos", explicou Lauro Rocha, diretor regional em Brasília da seguradora Mongeral Aegon. Registrados na Susep, esses profissionais podem comercializar todos os tipos de apólices, como de vida, previdência, automóvel, saúde e capitalização.
Na avaliação do economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Marcelo Abi-Ramia Caetano, ao lado da expansão do mercado, o envelhecimento da população brasileira ao longo dos próximos anos demandará cada vez mais pessoas capacitadas. "Hoje, a participação de pessoas com mais de 65 anos na economia é de 7% do PIB. Esse número vai chegar a 23% em 2050. Mais para frente, o próprio governo vai estimular mecanismos de poupança privada", analisou.
Ganhos de R$ 30 mil
Segundo Rocha, o corretor de seguros ganha entre R$ 1 mil e R$ 30 mil por mês, a depender do tamanho da sua carteira de clientes. Justamente por conta dos salários, Adauto Guedes, 22 anos, deixou o cargo de gerente de recursos humanos em agosto em uma empresa na área de educação para se tornar corretor de seguros. A receita deu certo: em três meses, a sua remuneração mensal saltou de R$ 1 mil para R$ 3 mil. "Além da possibilidade de ter ganhos melhores, a autonomia que a profissão oferece me despertou. Agora, eu mesmo faço o meu horário", disse. No entanto, ressalta o jovem, é preciso ter muita disposição. "É um trabalho bastante pró-ativo. Como vendo apólices para advogados e administradores, diariamente vou a fóruns e a empresas para apresentar o meu produto", contou Guedes, que fechou cerca de 40 contratos nos últimos três meses.
Corretor há oito anos, Célio Barbosa, 43, explica que um dos principais benefícios da carreira é o fato de a carteira de clientes ser cumulativa. A cada apólice vendida, o profissional recebe 150% sobre a primeira contribuição do cliente e cerca de 10% sobre as mensalidades pagas ao longo de toda a duração do contrato. "No caso do seguro de vida, por exemplo, a apólice é renovada automaticamente e pode durar toda a vida. Precisamos nos dedicar para manter a carteira", observou Barbosa, que já tem cerca de 500 pessoas em sua lista de clientes. Natural de Recife (PE), ele viu sua renda mensal aumentar de R$ 3 mil para mais de R$ 10 mil desde que deixou a função de vendedor de eletroeletrônicos em sua terra natal.
Na avaliação do vice-presidente da Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados (Fenacor), Robert Bittar, o mercado de seguros no Brasil jamais experimentou um período de tanto avanço. "O momento é de crescimento da economia e do emprego formal, de melhor distribuição de renda da população e de farto acesso ao crédito. Em três décadas, o mercado mais que triplicou e em poucos anos atingirá 7% do Produto Interno Bruto. Mais de 76% de todos esses negócios foram alavancados pelos corretores, que também se desenvolveram muito", ressaltou. Atualmente, a indústria de seguros no país corresponde a 3,4% do PIB, segundo a Fenacor.
Requisitos
Para exercer a profissão, é necessário ter ao menos ensino médio e obter título de habilitação, concedido pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). O requisito para conseguir o registro é ser aprovado na Escola Nacional de Seguros (Funenseg), que conta com unidade também em Brasília. Segundo a professora da instituição Lailma Maia, para atuar na área de seguros de vida, previdência e capacitação, é preciso passar por seis meses de treinamento. Para conseguir o registro de corretor pleno, que atende em todas as áreas, a capacitação dura um ano. Em 2009, o curso completo da Funenseg custou R$ 3.080.
ENTREVISTA - MICHAEL GIBBS É preciso investir no ensino técnico
Michael Gibbs é professor de economia e recursos humanos da Universidade de Chicago (EUA). O PhD considera que o Brasil tem muito a aprender com países como a Índia e a China para superar os desafios do cenário atual de aquecimento econômico. Um grave problema é a baixa qualidade do sistema de ensino nacional. Gibbs defende que o Brasil invista mais em escolas técnicas para formar uma massa de trabalhadores de nível intermediário.
Como os profissionais podem aproveitar o aquecimento econômico brasileiro para alavancar a carreira?
A primeira coisa é sempre estar empregado. Tenha experiências fora do ambiente de trabalho, faça contato com outros profissionais e headhunters. Há tantas possibilidades que é preciso estar aberto a novos contatos e certamente algo bom aparecerá. Outra coisa fundamental é jamais deixar de investir nas suas habilidades. No mundo inteiro, o mercado de trabalho demanda pessoas altamente qualificadas. Educação é um ótimo investimento.
Mas o sucateamento do ensino técnico no Brasil não pode gerar o deslocamento de profissionais com nível superior para cargos que exigem só o segundo grau?
Pode ser o caso de o Brasil precisar investir mais em escolas técnicas, para formar uma massa de trabalhadores de nível intermediário. No mundo todo, a indústria adota tecnologias cada vez mais avançadas e isso pode ser parte do problema. As linhas de montagem não precisam de gente formada em nível superior, mas não adianta alguém sem conhecimento técnico específico.
O Brasil tem registrado recordes sucessivos em número de ocupados e renda. O país está no rumo certo?
Situações semelhantes ocorreram na Índia nos últimos 10 a 15 anos. São características como rápida escassez de profissionais, acirramento da competição, aumento da rotatividade com pessoas sendo convidadas para novos postos para receber mais. Esse é um passo natural para uma economia que cresce muito rápido. Isso irá se acalmar em algum momento, mas todos esses ajustes precisam ocorrer. O importante nesse momento é encorajar a flexibilidade e a inovação. O Brasil tem muito a aprender com as experiências da Índia e também da China.
Fonte: correiobraziliense.com.br - 12/12/2010
